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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Professora, Mestre em Educação, Psicopedagoga, Especialista em Avaliação Educacional. Atualmente, ministra palestras sobre LEITURA E INTELIGÊNCIA, também escreve material de língua portuguesa EAD para o CCAA e para a EDUCOPÉDIA.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

EM ABRIL NÃO ENTRA

O limite de idade para o Ensino Fundamental proposto pelo CNE



Custo a crer que no início do século XXI ainda adotamos como critério único de avaliação para a inclusão das crianças em classes escolares, a idade.

Num mundo onde circulam as idéias de Piaget, Vygotsky, e contribuições da neurociência, parece não restar dúvida que a aprendizagem resulta de diferentes fatores, como, principalmente, a maturação biológica, as experiências sócio-culturais, as interações que estabelecemos e a forma como lidamos com as experiências.

Por que então, discutir um limite de idade para o ingresso no Ensino Fundamental ou na Alfabetização?

Poder-se-ia alegar que o critério idade é adotado em função da preocupação que os educadores têm com a questão da entrada, cada vez mais cedo, dos alunos nas escolas de Ensino Fundamental, nas quais o aluno já não tem tanto tempo para brincar.

Lembro-me que quando meu filho estava no Jardim III, fui chamada na escola para conversar sobre seu desempenho. A professora dizia estar preocupada por que ele andava muito disperso. Perguntei então se ela conseguia perceber se o nível de desafio estava alto demais, ou ao contrário, se faltava desafio. Ela titubeou, mas foi de opinião que faltava desafio, o que eu concordei. Combinamos que ele faria uma semana experimental na Classe de Alfabetização. Ele interou-se bem, passou a ficar mais interessado nas atividades e hoje, aos 23 anos está concluindo a Faculdade de Engenharia. O que teria acontecido com ele se, naquele ano, ele tivesse permanecido na Classe que freqüentava? Muitas respostas são possíveis, dentre elas a hipótese de que ele se desinteressasse da escola, tornando-se um aluno “problema”. Poderia ser que achassem que ele era portador de Distúrbio de Déficit de Atenção, outro problema neurológico ou psicológico.

Que paradigmas podem estar norteando decisões do CNE? Seria a prontidão para a alfabetização ou apenas uma questão de organização do Sistema de Ensino? Serão as experiências nas escolas poucas para mostrar que não há critério objetivo para a Classificação dos alunos? Será que precisamos dizer que cada aluno precisa ser avaliado pela equipe que trabalha com ele, para tentar tomar a decisão mais acertada?

Infelizmente, quando falamos em PRONTIDÃO PARA A ALFABETIZAÇÃO, não estamos nos referindo aquilo que o aluno pensa sobre a leitura/escrita. A PRONTIDÃO diz respeito a um conjunto de critérios que avaliam a destreza motora, a percepção e outros aspectos muito mais relacionados à capacidade que o aluno possui para escrever, ou para desenhar uma letra bonita. Assim, a questão da PRONTIDÃO PARA A ALFABETIZAÇÃO deveria ser revista levando-se em conta os estudos de Piaget, Emília Ferreiro, Esther Grossi, Mary Kato, Frank Smith, entre outros.

Se a preocupação for a entrada cada vez mais precoce das crianças no Ensino Fundamental, penso que a mudança não deveria ocorrer impedindo as crianças de entrarem neste nível de ensino, mas sim repensando o Ensino Fundamental. Repensando as práticas que alicerçaram durante tanto tempo este nível e que excluem o lúdico, as histórias, as rodinhas de conversa, como se estas atividades não fosse pedagógicas. O professor muitas vezes alega não poder perder tempo com essas atividades, que ele não pode se dar a esse luxo. Seria mesmo um luxo poder aprender brincando? Aprender com as histórias e com os colegas de classe?Quais são os dogmas que norteiam nossas práticas?

Enquanto a escola for norteada e organizada por paradigmas do século XIX, como o critério da idade, o ensino livresco e conteudista, a disciplinarização ortodoxa e a teimosia em formatar os alunos, pouco se avançará nas escolas e nas classes que tenham a sua frente profissionais antenados com o mundo atual. É preciso que o Estado promova políticas públicas coerente com os objetivos propostos na Constituição Federal, na LDB e nos Parâmetros. Os objetivos propostos nestes documentos não condizem com as práticas arcaicas das escolas, que vivem sobre a pressão de decretos e burocracias que engessam o ensino.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ALUNOS SEGREGADOS


Muito pertinente a reportagem da NOVA ESCOLA sobre a classificação dos alunos em turmas por hierarquia, ou seja, classificam os alunos pelo seu desempenho. Há muito eu achava que esse critério havia acabado, mas qual não foi minha surpresa ao visitar algumas escolas no ano passado e descobrir que o critério ainda é muito utilizado. Desde turmas de 1º. Ano até as turmas de 3º.ano do Ensino Médio.




O que na verdade causa espanto é o fato de que essas escolas proclamam-se sócio-interacionistas ou construtivistas. Embora nem Piaget nem Vygotsky tenham elaborado uma pedagogia, e a teoria deles resulte em diferentes práticas, não haveria como justificar a classificação das turmas a partir de nenhum dos dois teóricos.



O primeiro aspecto negativo de tal prática seria a estigmatização a que os alunos de pior desempenho estariam submetidos. Além de estarem sujeitos à discriminação dentro da própria escola. Não gente, não é invenção da minha cabeça. Muitos alunos ainda são discriminados pelo seu baixo desempenho não só pelos outros alunos, mas pasmem, principalmente pelos professores.



É claro que como professora, adoro encontrar num aluno os mesmos gostos que o meu: gostar de ler, estudar, apreciar bons modos. Mas e aqueles que não gostam das mesmas coisas que eu? Preciso entender que provavelmente a maioria não teve a oportunidade de sequer se aproximar dessa cultura. Assim, gostar de ler, é uma oportunidade que se tem ou não. Quem não é apresentado a bons livros, quem não tem a oportunidade de ser apresentado a um texto que o instigue e que responda as suas questões pessoais ou mesmo lhe dê prazer, acaba não gostando de ler. Como gostar de música clássica se nunca se teve a chance de escutá-la para poder diferenciar os diferentes estilos? Como apreciar uma obra de arte se não se teve o tempo necessário e a orientação de alguém para simplesmente sentar-se à frente a natureza e observar as cores, o balançar das árvores, as sombras? É necessário educar o olhar, o gosto, a audição, a sensibilidade. Não uma educação imposta, mas uma educação que amplie o horizonte particular e propicie e respeite, então, a escolha de cada um. Assim, tenho o direito de excluir e segregar aqueles que não conseguem um bom desempenho? Será que um aluno tira nota baixa porque gosta? Será que não gostamos de aprender? De escutar histórias?



Além disso, valeria uma reflexão, uma leitura sobre a indisciplina e o comportamento daqueles que não aprendem. O que estariam tentando nos dizer?



O segundo aspecto inconciliável desta prática com a teoria sócio- interacionista seria o fato de que tanto Piaget quanto Vygotsky postularem que aprendemos com os nossos pares. Aprendemos na interação com o outro. Assim, o não saber do outro pode ser uma excelente fonte de aprendizado para mim, da mesma forma que o meu saber pode ser fonte de aprendizado para o meu par. Dessa forma, classificar os alunos por desempenho é acreditar numa escola ultrapassada que não atende aos princípios de uma educação inclusiva.



Para finalizar, não podemos esquecer de Gardner, com o conceito de INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS. Ele nos alerta que a inteligência tem múltiplas facetas, que cada um, vai desenvolver mais um aspecto da inteligência de acordo com suas características pessoais, com a sua experiência e com a cultura na qual está inserido. A escola privilegia só a inteligência lógico-matemática e a inteligência lingüística, deixando de lado todos os outros tipos de inteligência. Quem estamos nós excluindo? Quem estamos nós, formando? Graciliano Ramos era analfabeto aos 9 anos de idade. Aprendeu a ler apesar da escola. Pergunto eu: Quantos Graciliano Ramos estaremos nós excluindo?

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

ELEMENTOS DE PEDAGOGIA DA LEITURA

De Ezequiel T. da Silva

O livro ELEMENTOS DE PEDAGOGIA DA LEITURA, de Ezequiel T. da Silva, pode ser lido em um dia, pois a linguagem utilizada é simples e direta.




O autor aborda o tema do uso do livro na escola, afirmando que, embora o ensino seja livresco, não há livros na escola. Na verdade ele se refere ao uso exacerbado do livro didático e a ausência dos outros livros.Ausência da leitura na escola.



Enfocando a questão da produção do conhecimento na escola, Silva chama a atenção para a mistificação da palavra escrita, mistificação esta que acontece graças ao ensino livresco e as formas autoritárias da leitura na escola, para o “vício “das apostilas em detrimento da falta do uso de bibliotecas e também as expectativas que temos do aluno leitor, alertando que o leitor não nasce pronto, o aluno-leitor é fruto de um trabalho de conquista diário.



Ainda apostando nesta construção, o Silva volta o olhar para o professor e sua relação com a leitura, as condições sociais em que esta acontece, o papel da censura na manutenção do status quo, a relação entre TV e leitura, entre outros tópicos.



No último capítulo, Silva adverte que não está oferecendo receitas, mas está cansado das teorizações que não oferecem um caminho para o professor e opta por correr o risco, listando uma série de atividades, sugestões que podem ser realizadas nas escolas.



Enfim, um livro para ser lido por quem se interessa pelo ensino da leitura!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SEMANA PEDAGÓGICA EM CAMPOS: 8 e 9 DE FEVEREIRO




Mais uma vez, a  Assessora Pedagógica da FTD no Rio de Janeiro, Eliane Areias e  Assistente de Relações da Editora , Renata Fontoura,  organizaram tudo para que eu fosse à Campos para dar uma palestra para os professores da rede do 6o. ao 9o. ano, nos dias 8 e 9 de fevereiro.


A abertura do ano letivo em Campos aconteceu num CIEP da cidade, onde podíamos observar os professores ansiosos para recomeçar mais um ano de trabalho.

Fomos recepcionadas por simpáticas professoras que nos deram todo apoio necessário para que as palestras transcorressem sem transtornos.

A participação dos professores foi fundamental para que um clima dinâmico se instaurasse, garantindo uma constante interação entre o público e a palestrante.

É interessante observar como os professores do 6o. ao 9o. ano, inicialmente, parecem duvidar de que o tema possa contribuir com o trabalho deles. Por isso mesmo, a palestra acaba ficando bem dinâmica, pois, surpresos, os professores interagem falando sobre suas ansiedades e inquietações, ao mesmo tempo que acabam percebendo que a palestra abre caminho para a mudança.

Mais uma vez agradeço o apoio da Assessoria Pedagógica da FTD, da Secretaria de Campos dos Goytacazes e dos professores que oportunizaram esse encontro!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

JORNADA PEDAGÓGICA DE ABERTURA DO ANO LETIVO / 2010

No dia 02 de fevereiro fui convidada pela FTD a proferir uma palestra na Jornada Pedagógica de abertura do ano letivo de 2010, promovida pela Secretaria de Educação de Araruama.

Depois da palestra do professor Nilbo Nogueira, eu, Renata Fontoura, representando a FTD, a Secretária de Educação, professora Vera Lúcia, sua assessora e o professor Nilbo almoçamos num agradável restaurante local.

Após o almoço foi a minha vez de falar aos professores da rede. Meu tema? A LEITURA NA ESCOLA.

Apesar do calor, o público participou bastante interessado, o que propiciou uma saudável interação. O tema em questão promove uma inquietação, uma vez que ao falarmos de nossos alunos, acabamos falando de nós, de nossa relação com a leitura, de nossa formação, de nossa identidade e de nossas aulas.

O tema da leitura parece conquistar cada vez mais espaço no cenário educacional e a Editora FTD dá a sua contribuição.

Obrigada Araruama, obrigada FTD!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A LEITURA NA ESCOLA

De maneira geral, o ensino da língua portuguesa na escola tem sido, quando não um problema, mal resolvido. Percebe-se isto, principalmente, nas avaliações dos alunos As notas baixas refletem tanto uma desconsideração por parte do ponto de vista do aluno, quanto uma incapacidade deste de atingir os objetivos propostos. Enfim, o que estamos avaliando? Muitos estudantes descobrem que podem conseguir algum êxito indo direto às perguntas de interpretação, não chegando nem a ler o texto! Depois vem a parte da gramática, na qual, o professor acredita estar trabalhando de forma contextualizada e a partir do texto só por que pede que os alunos identifiquem os substantivos ou os adjetivos da frase. Por fim, a famosa redação! Critérios que mais parecem grego para os alunos: coerência textual, pertinência ao tema, coesão e ortografia! Cada três erros, perde-se um ponto!
Mas onde tudo isso começa? O cerne dos currículos escolares ainda é a nossa velha e boa gramática. Preocupa-se em ensinar a gramática, muitas vezes distante da língua que falamos em nosso cotidiano e descontextualizada, utilizando frases escolhidas, de forma que não despertem dubiedade em análises que até gramáticos discutiriam.
Inicia-se assim, pelo ensino das classes gramaticais nos primeiros anos do primeiro ciclo, tentando habilitar os alunos à análise morfológica até o fim do mesmo, quando então se procede ao ensino da sintaxe que, em algumas escolas é vista concomitantemente com a análise morfológica (morfossintaxe).
A ortografia também é trabalhada. No entanto, seu ensino é, em geral, feito aleatoriamente não levando em conta os estudos realizados na área. Não há a consideração daquilo que é item de memória e de compreensão, resultando em exercícios que, muitas vezes, mais confundem do que contribuem para a aprendizagem dos alunos.
Por outro lado, uma obsessão pela escrita correta faz com que os professores tenham que corrigir exaustivamente os cadernos, exercícios e provas, num trabalho inócuo, uma vez que os alunos não retornam a esses escritos para verificar a correção. Mais ainda, retiram pontos da prova de redação o que leva os alunos, espertos que são, a evitar escrever muito, de forma que errem menos. Além disso, como não há um programa para trabalhar a ortografia, a correção de todos os tipos de erros numa produção escrita, acaba por gerar uma indiscriminação, mesmo que o aluno volte a ela, pouco aprenderá, pois, geralmente, há tantas correções que, além de confuso, o número de itens corrigidos ultrapassa o número de unidades significativas que ele pode armazenar na memória de trabalho.
O livro didático, muitas vezes, assume um papel central nas aulas, uma vez que é utilizado como currículo, já que, geralmente, em cada capítulo, aborda todas as unidades da Língua, livrando o professor de um planejamento muitas vezes difícil. Além disso, nem sempre o professor elabora exercícios que retornem aos conteúdos trabalhados, o que tem como resultado uma aprendizagem incipiente da gramática, da leitura, e da produção de textos.
Em relação à leitura e à escrita, tudo é feito e pensado como se os alunos, uma vez alfabetizados, fossem capazes de fazer qualquer leitura e escrever qualquer texto. Fala-se da lógica implicada na construção dos textos como sendo uma habilidade natural do aluno, uma vez que tenha adquirido a linguagem escrita, quando sabemos que a construção textual tem suas raízes na lógica Aristotélica e necessita ser ensinada. A leitura por sua vez, acaba confinada aos livros extraclasses, que, como o nome já diz, é para ser lido, fora da escola. A discussão sobre esse tipo de leitura resume-se à seleção dos livros e geralmente não leva em conta o interesse dos alunos. Até por que é muita pretensão acreditar que adotando um só livro vá se atender ao interesse de trinta, quarenta alunos.
Assim, os alunos aprendem a ler ou não. E pior do que não aprenderem é que grande parte dos alunos está desenvolvendo uma antipatia pela leitura, utilizando-a somente quando ela é exigida em suas atividades diárias. É certo que nunca os jovens urbanos leram tanto em sua vida cotidiana, principalmente com o advento da internet. No entanto, nunca se leu tão pouca literatura.
No geral, a representação que se tem do ensino da leitura na escola é que este termina quando o aluno alfabetiza-se. Depois daí basta ler. As discussões nas séries posteriores limitam-se ao debate sobre qual livro adotar e as formas de cobrança sobre a leitura. Muitas vezes o professor identifica uma leitura inadequada por parte do aluno e a orientação passa pela indicação de aulas particulares, atribuindo a dificuldade à incapacidade do aluno em escrever sobre o que leu. O professor desconsidera que a dificuldade pode estar na falta de conhecimento prévio ou mesmo objetivos mal estabelecidos que podem gerar outras respostas. Apenas é considerada certa uma única possibilidade: o gabarito.

LEITURA E COGNIÇÃO
Considerando a leitura uma atividade interativa de produção de sentido, sabemos que a atividade de ler não difere em muito do pensamento, uma vez que exige compreensão. Quando lemos pensamos. Pensamos, interagimos com o texto de acordo com os conhecimentos prévios que possuímos, daí a multiplicidade de interpretações. Nossos conhecimentos prévios linguísticos, textuais e de mundo implicarão diretamente na compreensão de um texto.
Porém, se o sujeito não está mobilizado para a leitura e teve um processo de alfabetização mais centrado em atividades de decodificação, utilizando o processo ascendente, que vai da parte para o todo, ficando delegado para segundo plano a construção do significado, corre-se o risco de que este, em algum momento, fique impedido de ler, na medida em que, na tentativa de usar só a visão para entender o texto, não tenha sucesso, pois que não utiliza informações não visuais, o conhecimento prévio, e aí, sinta-se frustrado, abandonando, muitas vezes, a tarefa .
Ao contrário, o sujeito que passou por um processo de alfabetização mais interativo, centrado em todas as unidades da língua, aprendendo a fazer a leitura utilizando tanto um processo ascendente quanto descendente, mesmo não estando mobilizado para a leitura, como utiliza recursos não visuais (conhecimento prévio), consegue ler o texto.
Pode-se pensar também que o aluno, apesar de ter sido alfabetizado através de um método ascendente ou descendente, desenvolva suas próprias estratégias, avançando na leitura compreensiva.
Ainda importante aspecto que merece atenção é a diversidade cultural presente na escola. Essa multiplicidade cultural traz diferentes visões de mundo com as quais o professor precisa interagir e considerar na hora de propor um texto para ser interpretado. É preciso que ele verifique o conhecimento prévio que as crianças possuem e proponha atividades que ativem esses conhecimentos prévios de forma que se tornem capazes de entender o texto.
Considerando o despreparo dos professores no que tange tanto aos processos cognitivos quanto lingüísticos e sociais do ato de ler, seria interessante investigar de que forma, o ensino de leitura, como é trabalhado na escola, desenvolve processos cognitivos, se estes se desenvolvem incrementados por outras áreas da cognição, ou se realmente é necessário o ensino de estratégias leitoras para que a compreensão se efetive.
A pergunta que me faço é: É realmente necessário o ensino de estratégias de leitura ou, sendo a compreensão um processo cognitivo, os alunos terminam por desenvolver (ou não) suas próprias estratégias de leitura, de acordo com o desenvolvimento de suas estruturas cognitivas mais gerais?
Da forma como o ensino de leitura é realizado, há compreensão por parte dos alunos, considerando-a como o fator que relaciona os aspectos relevantes do mundo à nossa volta às intenções, conhecimento e expectativa que já possuímos em nossas mentes ( SMITH)?
Há diferença nas estratégias utilizadas nas diferentes situações de leitura (ler para aprender, ler como objeto de estudo, ler por prazer) e nos diferentes gêneros/tipos textuais?
Os alunos fazem uso de estratégias cognitivas para ler? Utilizam o seu conhecimento prévio, realizando antecipações, previsões e inferências ou se detém na decifração do código, terminando por sobrecarregar a memória de trabalho, e consequentemente não conseguindo uma compreensão satisfatória?
Elas têm consciência do processo de leitura? Percebem seus avanços e/ou suas dificuldades, o não-entendimento, o conhecimento prévio insuficiente, quando não conseguem relacionar o texto à sua teoria de mundo?
Se isto acontece, o que fazem para resolver? Utilizam estratégias cognitivas ou metacognitivas?
Em outras palavras, levanto a hipótese que a escola não tem contribuído muito na formação de bons leitores, mas, mesmo num percentual pequeno, eles se formam. Assim, me pergunto se esses bons leitores utilizam alguma estratégia e, se utilizam, possuem consciência dela nas diferentes situações de leitura e como desenvolveram tais estratégias. Por outro lado, os maus leitores como leem? Utilizam alguma estratégia? Possuem consciência das dificuldades de seu processo de leitura? E se, ensinadas as estratégias adequadas, tornar-se-ão bons leitores? Será a leitura uma atividade consciente de uso de estratégias ou uma atividade sedutora que, ao seduzir o leitor, este termina por desenvolver estratégias cognitivas. Parafraseando Piaget: “Há o motor e o funcionamento do motor...” o motor é a afetividade, a emoção. O funcionamento são os processos cognitivos...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALLIENDE, Felipe e Condemarín, Mabel. A leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento.PA: Artmed, 2005.
ANTUNES, Irandé. Aulas de Português- encontro e interação. SP: Parábola Editorial, 2003
CONDEMARÍN, Mabel. O programa de leitura silenciosa contínua. SP: Casa do Psicólogo, 1987.
GROSSI, Esther Pillar. Didática da alfabetização, v. 1,2,3. SP: Editora Paz e terra, 1992.
KATO, Mary. O aprendizado da leitura. SP: Martins Fontes, 1985.
KOCH, Ingedore Villaça. Ler e compreender: os sentidos do texto. SP: Contexto, 2007.
KLEIMAN, Angela. Oficina de leitura: teoria e prática. Campinas, SP: Pontes, 1998.
_______________Texto e leitor: aspectos cognitivos da leitura. SP: Pontes, 1989.
MARTINS,Maria Helena. O que é leitura. Editora Brasiliense, 1982.
___________________. Questões de linguagem.SP: Contexto, 2001.
SMITH, Frank. Compreendendo a leitura: uma análise psicolingüística da leitura e do aprender a ler. PA: Artmed, 1989.
SOLÉ, Isabel. Estratégias de leitura, PA: Artmed, 1998.
ZILBERMAN, Regina & SILVA, Ezequiel Theodoro da. Leitura: perspectivas interdisciplinares. Ática, 1991.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

FÉRIAS!!!!!!!!!!!

Muito tempo sem postar nada! Curtam Bittersweet Symphony. Uma delícia!!!!!!!!!


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A experiência com a implantação de uma nova tecnologia, o computador, e as conseqüências para os usuários noviços foi inspiradora desse filme sensacional. A situação nele representada é a que, por analogia com o computador, teria acontecido quando, na Idade Média, se introduziu uma nova tecnologia chamada livro. É um filme sensacional que não se pode perder. Essa versão foi legendada em português por Lorena Tárcia, que foi minha orientanda no Mestrado em Educação da PUC Minas. Category: Comedy
Tags: tecnologia inovação heldesk




segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A LEITURA EM JOGO (um estudo sobre a leitura)

A LEITURA EM JOGO
( um estudo sobre a leitura)

No mundo todo, pesquisadores discutem e fazem prospectivas sobre a situação da leitura na escola. Com a explosão dos meios de comunicação, seria ela substituída pela imagem, ficando relegada apenas ao uso escolar?

A reprodução mecânica da imagem fixa e móvel tira da leitura o privilégio de ser o meio cultural quase exclusivo da informação e difusão cultural. Essa mudança tem efeitos curiosos: nos países desenvolvidos os novos meios incrementam a leitura, nos menos desenvolvidos ele entra em crise: tanto dentro da escola, quanto fora dela.

Dentro da escola o ensino da leitura se torna mais difícil; aumenta o número de crianças que ao fim de dois ou mais anos não sabem ler, ou leem precariamente. Fora dela, o hábito de ler de livros, especialmente literários e científicos, decresce de forma notável.

Diante de tais evidências, torna-se necessário resgatar a máxima de que a leitura mantém uma função importante no mundo atual e tem vantagens claras sobre os meios de comunicação de massa baseados na imagem e na palavra oral. Logo, torna-se importante e necessário tomar uma série de medidas para superar a crise e permitir que nossos estudantes não se vejam privados de um meio fundamental para o seu desenvolvimento.

No entanto, essa nova demanda não permitiu ainda, uma reformulação nos cursos superiores. Os cursos de licenciatura tocam por cima a problemática relacionada ao ensino da leitura, gerando despreparo e lacunas na formação dos professores. Os chamados “guias curriculares” também deixam a desejar e, em sala de aula, o professor tem de realizar os malabarismos mais escabrosos quando tem de desempenhar o seu papel de orientador da leitura.

Assim, a leitura não tem ocupado o devido lugar depois que o aluno aprende a ler. Geralmente, ela só é destaque nas séries próximas à Classe de Alfabetização. Depois, o que mais preocupa aos educadores são a produção escrita e a escolha dos livros de literatura (extraclasse), que, como o nome já diz, são lidos fora da escola.

Mas como formamos o leitor? Que sabemos sobre a leitura, sobre o ato de ler, sobre os fatores cognitivos envolvidos ao ler, sobre as diversas concepções de leitura e suas relações com as concepções de sujeito e de mundo, sobre os critérios que podem nos orientar na hora de escolher um livro?
Como professora, tenho procurado entender o ato de ler, a partir de minhas próprias experiências: de leitora; as vividas em sala de aula com os alunos a quem apresento textos; como aluna do curso de Doutorado na UERJ e também com outras pessoas que já se debruçaram muito sobre o assunto e que escreveram o que pensam sobre ele. O texto escrito possibilita isso. O contato com outros de outros tempos e espaços. São essas aprendizagens que pretendo dividir com vocês, criando um espaço de reflexão sobre a leitura.


Carga horária: 20 horas
Módulos: 8
Duração do curso: a combinar



Ementa: leitura – conceito – importância – justificativa- concepções – fatores cognitivos – conhecimento prévio – estratégias – critérios seleção leitura.


Objetivo geral: Refletir sobre as práticas cotidianas de leitura à luz de referenciais teóricos que fundamentam essas atividades.


Módulos
Carga horária
Conteúdo
Objetivos Específicos
1º.
2h 30
· Introdução:
· Importância e justificativa da leitura
Refletir sobre a leitura no mundo em seus múltiplos aspectos e possibilidades.
Refletir e aprofundar o conhecimento sobre a importância da leitura na vida das pessoas.

2º.
2h 30
O que é ler: Concepções de leitura
Conhecer e relacionar diferentes concepções de leitura com diferentes concepções de sujeito.
4º.
2h 30
Compreensão
Conhecer e refletir sobre os fatores cognitivos envolvidos no ato de ler.
5º.
2h 30
Conhecimento prévio
O que é conhecimento prévio e qual a sua importância nos processos de leitura
6º.
5h
Estratégias de leitura
Conhecer as estratégias de leitura ( antes, durante e após)
7º.
2h 30
O trabalho com diferentes tipos de textos
Aprofundar o conhecimento sobre diferentes tipos de textos e suas possibilidades de trabalho.
8º.
2h 30
Encerramento e avaliação
Correção dos exercícios, debate sobre as aprendizagens realizadas.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Casa Brasil abre inscrições para curso de alfabetização

Casa Brasil abre inscrições para curso de alfabetização


A Prefeitura do Rio através da Secretaria Especial de Ciência e Tecnologia informa que se encontram abertas às inscrições para o curso de alfabetização para jovens, adultos e idosos através do programa Brasil Alfabetizado (PBA) da Rede Casa Brasil. O curso é uma parceria do Governo Federal com a Secretaria Estadual de Educação.

As inscrições terminam no dia 07/08, sexta-feira, e os interessados podem se inscrever gratuitamente na administração da Casa Brasil, das 9h às 16h, na Unidade Casa Brasil CIAD Mestre Candeia, na Av. Presidente Vargas, nº 1997, térreo, Centro, com os seguintes documentos: carteira de identidade, CPF e comprovante de residência. A idade mínima é de 15 anos e os portadores de necessidades especiais também terão espaço no programa Brasil Alfabetizado (PBA).

A iniciativa faz parte do programa Brasil Alfabetizado da Rede Casa Brasil que tem como proposta abrir portas de acesso à cidadania e o despertar do interesse pela elevação da escolaridade.

O curso, com início previsto para o mês de agosto, terá suas aulas ministradas no auditório da Casa Brasil, de segunda às quintas-feiras de 08 às 10h, de 10:30 às13h, das 13 às 15:30 e das 15:30 às 18h.

O Projeto Rede Casa Brasil é fruto de parceria entre a Prefeitura do Rio e o Governo Federal, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e tem o propósito de implantar um espaço destinado à convergência das ações do governo federal nas áreas de inclusão digital, social e cultural, geração de trabalho e renda, ampliação da cidadania e popularização da ciência e da arte .

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Michael Jackson está vivo!






Michael, Gandhi, Raul Seixas, Elis, Renato Russo, Picasso, Tarsila, Clarice, Drumond, Veríssimo, Machado, Einstein, Santos Dumont, Pasteur, todos vivos! Imortais!

Imortal seria a palavra mais adequada?... aquele que não morre. O que é a morte? O que é a vida?

Platão, distante de nós milhares de anos, já nos prevenia sobre a subjetividade da realidade. Falamos de Platão, cantamos as músicas de Michael, lemos Machado, admiramos Tarsila e Picasso. Eles vivem entre nós através do legado, da herança que deixaram.

Hoje, o mundo inteiro sente a partida do nosso querido ídolo, mas paradoxalmente, ele parece estar mais vivo do que nunca. Suas músicas e vídeos são acessados no mundo inteiro a cada fração de segundo. Nas rodas de conversa, nos telejornais, nas revistas, nas rádios, nas lojas...cada um presta a sua homenagem ao mesmo tempo em que recorda melancolicamente (?) parte de sua infância, quando o grupo Jackson Five virou fenômeno.

Michael Jackson rompeu com o passado, inovou, transgrediu, surpreendeu o mundo com sua música, com sua dança, com as suas palavras.

Suas palavras, traduzidas em suas músicas, nos falam de amor e solidão, de felicidade e tristeza, de dor e alegria, de fome e de doação, de doença e de cura, do preto e do branco,

Um tema recorrente nas suas letras era a existência de um lugar melhor para se viver. Um lugar às vezes misterioso, outras vezes, criado por nós. Logo, o que estava presente era a esperança. Sua música trazia consigo a esperança de um mundo melhor, fosse esse mundo o que conhecemos, ou algum outro onde talvez, ele habite agora.

Dizem que uma ação vale mais do que mil palavras. Digo que uma palavra vale mais do que mil ações. Uma palavra bem dita, dita na ponta da língua, dita o amor, dita a crença, dita o pensamento, dita o homem. Talvez Michael não tenha conseguido até ontem transformar-se naquilo que ditava e acreditava, Quem sabe, de hoje em diante ele não complete sua obra?

Heal the world
Michael Jackson

There's a place in your heart
And I know that it is love
And this place could be much
Brighter than tomorrow
And if you really try
You'll find there's no need to cry
In this place you'll feel
There's no hurt or sorrow

There are ways to get there
If you care enough for the living
Make a little space
Make a better place ...

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make it a better place
For you and for me

If you want to know why
There's love that cannot lie
Love is strong
It only cares of joyful giving
If we try we shall see
In this bliss we cannot feel
Fear od dread
We stop existing and start living

The it feels that always
Love's enough for us growing
So make a better world
Make a better place ...

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make a better place for you and for me

And the dream we were conceived in
Will reveal a joyful face
And the world we once believed in
Will shine again in grace
Then why do we keep strangling life
Wound this earth, crucify its soul
Though it's plain to see
This world is heavenly
Be god's glow

We could fly so high
Let our spirits never die
In my heart I feel you are all my brothers
Create a world with no fear
Together we cry happy tears
See the nations turn their swords into plowshares

We could really get there
If you cared enough for the living
Make a little space
To make a better place ...

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race
There are people dying
If you care enough for the living
Make a better place for you and for me
...

There are people dying
If you care enough for the living
Make a better place for you and for me
...

You and for me ...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Encontro Regional de Educadores/as em Direitos Humanos

PAPO CABEÇA - DIVERSIDADE, SEXUALIDADE E GÊNERO NA ESCOLA

O Seminário Educação, Sexualidade, Gênero e Diversidade é uma realização da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através do Programa Papo Cabeça e Projeto Diversidade Sexual na Escola.
O objetivo do Seminário é criar um espaço de troca e articulação entre pesquisadores, estudantes, profissionais de educação e saúde, ativistas e representantes da sociedade civil que desenvolvem pesquisas e ações no campo da Sexualidade, do Gênero e da Educação.
Vamos aqui entender a Escola como um espaço de construção de significados, representações, valores, identidades e normatizações, em especial no que diz respeito a gênero e sexualidade. Nos últimos anos se desenvolveram políticas públicas em sexualidade que têm como espaço fundamental de atuação a Escola. Mas essas políticas têm sido bem sucedidas? Que concepções teóricas e políticas estão por trás dessas ações? Qual o papel da Universidade no desenvolvimento dessas ações e dessas políticas? Como diferentes linhas dentro do próprio pensamento científico vão significar a sexualidade?

Essas e outras questões estarão em discussão durante mesas redondas, apresentações de trabalho e bate-papos, ao longo do seminário. A sua participação, não só assistindo, mas debatendo e trazendo a sua experiência, é fundamental.

Período

11, 12 e 13 de agosto de 2009


Local

Fórum de Ciência e Cultura
Universidade Federal do Rio de Janeiro - Praia Vermelha
Rio de Janeiro

Realização
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Programa Papo Cabeça
Projeto Diversidade Sexual na Escola

Apoio Institucional

Pró-Reitoria de Extensão

Financiamento

Ministério da Educação
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade


www.papocabeca.me.ufrj.br/seminario
(21) 2598-9691

terça-feira, 23 de junho de 2009

PASSEIO SOCRÁTICO - Frei Beto

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.

"Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse.

O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.

Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que, "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens.

Portanto, em si o homem não tem valor para nós. "O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.

Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, têm alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.

Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife.

Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux.. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela...

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas, não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas..

Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói."

E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja..

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês,
respondia:

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".

PASSEIO SOCRÁTICO - Frei Beto

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.

"Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse.

O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.

É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.

A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.

Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.

Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que, "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens.

Portanto, em si o homem não tem valor para nós. "O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social.

Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.

Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, têm alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém.

Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia?

Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife.

Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux.. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela...

Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.

Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas, não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas..

Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.. "Nada poderia ser maior que a sedução" - diz Jean Baudrillard - "nem mesmo a ordem que a destrói."

E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja..

Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês,
respondia:

"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz".

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Conferência Nacional de Educação – CONAE

A Conferência Nacional de Educação – CONAE é um espaço democrático aberto pelo Poder Público para que todos possam participar do desenvolvimento da Educação Nacional.
Está sendo organizada para tematizar a educação escolar, da Educação Infantil à Pós Graduação, e realizada, em diferentes territórios e espaços institucionais, nas escolas, municípios, Distrito Federal, estados e país.
Estudantes, Pais, Profissionais da Educação, Gestores, Agentes Públicos e sociedade civil organizada de modo geral, terão em suas mãos, a partir de janeiro de 2009, a oportunidade de conferir os rumos da educação brasileira.
Tema da CONAE, definido por sua Comissão Organizadora Nacional, será: Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação.
A CONAE acontecerá em Brasília, em abril de 2010, será precedida de Conferências Municipais, previstas para o primeiro semestre de 2009 e de Conferências Estaduais e do Distrito Federal programadas para o segundo semestre do mesmo ano.
O município do Rio de Janeiro promoverá a Etapa Preparatória no próximo dia 27 de junho, das 9h às 13h, em dez locais listados ao final desta página.
Divulgue sobre este evento em toda a sua comunidade. A participação de todos é muito importante para possibilitar o conhecimento das ações em curso, travar discussões e propor estratégias que garantam uma educação cada vez mais qualificada para os cidadãos de nossa cidade e país.
Locais Etapa Preparatória:


E/SUBE/1ª CRE
Centro de Referência da Educação Pública da Cidade do Rio de Janeiro
Av Presidente Vargas, 1.314 - Centro

E/SUBE/2ª CRE
Escola Municipal Argentina
Av. 28 de Setembro, 125 - Vila Isabel

E/SUBE/3ª CRE
Colégio Imaculado Coração de Maria
Aristides Caire, 141 - Méier

E/SUBE/4ª CRE
Escola Municipal Grécia
Av. Brás de Pina, 1.614 - Vila da Penha

E/SUBE/5ª CRE
Escola Municipal Waldemar Falcão
Praça Jaguaré, 53 - Oswaldo Cruz

E/SUBE/6ª CRE
Escola Municipal Monte Castelo
Rua Ouseley, s/nº - Coelho Neto

E/SUBE/7ª CRE
Escola Municipal Pio X
Rua Serra Negra, 103 - Tanque - Jacarepaguá

E/SUBE/8ª CRE
Escola Municipal Collechio
Rua Baía Formosa, s/nº - Bangú

E/SUBE/9ª CRE
Auditório da UNISUAM
Rua Alfredo de Moraes, em frente à rua Domingos do Couto - Centro - Campo Grande

E/SUBE/10ª CRE
Escola Municipal Fernando de Azevedo

Curso gratuito via internet: direitos humanos e memória.

A inscrição é no site http://www.direitom emoria.org. br/
Apresentação

O projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República iniciou em 29 de agosto de 2006 com o objetivo de recuperar e divulgar o que aconteceu no período da ditadura no Brasil, 1964 – 1985. São registros de um passado marcado pela violência e por violações de direitos humanos. Disponibilizar esse conhecimento é fundamental para o País construir instrumentos eficazes e garantir que esse passado não se repita mais.
A partir deste projeto a Ágere Cooperação em Advocacy desenvolveu o curso Direito à Memória e à Verdade que será aplicado à distância via Internet, para professores da rede pública de ensino médio, buscando oferecer aos mesmos uma formação, com reflexão crítica e numa perspectiva dos direitos humanos, da história do Brasil durante a ditadura militar. Ao formar professores estaremos garantindo que as gerações atuais e futuras tenham o seu direito à memória e à verdade respeitado.
O curso oferece 3000 vagas e será gratuito para os participantes, pois conta com o apoio da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
Período de realização do curso – Junho a Setembro de 2009.


Público
O curso oferece 3.000 vagas para professores da rede púbica de ensino, preferencialmente professores de história, sociologia e filosofia, mas sem desconsiderar a participação de professores de outras áreas do conhecimento como língua portuguesa e literatura.
Inscrições
As inscrições são realizadas somente online por meio do formulário disponível neste site. O preenchimento correto de todas as informações solicitadas no formulário é importante para garantir a participação no processo de seleção. Antes de proceder à inscrição verifique o público específico do curso. O preenchimento do formulário de inscrição não garante diretamente a participação no curso, haverá processo de seleção.
Seleção
Após o encerramento das inscrições terá início o processo de seleção que será realizado pela equipe de coordenação do curso da Ágere Cooperação em Advocacy com base nas informações apresentadas no formulário de inscrição e de acordo com os objetivos e público proposto para o curso.
O resultado do processo de seleção será encaminhado no e-mail apresentado no formulário de inscrição juntamente com as instruções para matrícula.
Conteúdo Programático
O conteúdo está sendo elaborado com a colaboração dos especialistas Carlos Ugo Santander Joo, Nelson Lima Pessoa e Roberto Oliveira Monte. Em linhas gerais os temais abordados são:

Fundamentos históricos e ético-filosóficos da Educação em Direitos Humanos
Introdução aos Direitos Humanos (origem, natureza e fundamentos) no Brasil e no Mundo, Tratados e Convenções;
Ética, Cidadania e Direitos Humanos;
Direitos humanos e memória.
Direito à Memória e à verdade e os direitos humanos
O contexto pré - Autoritário;
Os movimentos sociais;
A arte e a censura política;
Os movimentos de resistência;
A tortura;
Literatura e política no contexto autoritário;
A transição política;
A lei de anistia;
Reflexões sobre a ditadura militar;
Memória do período da ditadura no Brasil;
Memória e Esquecimento;
O papel da memória na proteção dos direitos humanos

ROTEIROS GEOGRÁFICOS DO RIO – junho – grátis

DESCORTINANDO AS GEOGRAFIAS DO CATETE, FLAMENGO E GLÓRIA
ENCONTRO: NO ALTO DO ADRO DA IGREJA DA GLÓRIA DO OUTEIRO
9 e 30 da manhã – DIA 20 DE JUNHO DE 2009 – sábado
Igreja Na. Sa. do Glória do Outeiro (visita ao templo) – Plano Inclinado (descida) – Praça do Russel e do monumento ao padroeiro São Sebastião – Torre das emissoras do Sistema Globo – Memorial Getúlio Vargas (visita) – Os edifícios suntuosos do bairro nobre do Flamengo – O ajardinamento do Parque Brigadeiro Eduardo Gomes – Parque do Flamengo (de volta ao passado da Carioca (casa de branco), da Henriville do Projeto da França Antártica e da conquista do homem sobre a baía de Guanabara – “Castelinho” (visita) – Rua Dois de Dezembro – Travessa Pinheiro de diversas temporalidades (vilas, torres e o Instituto de Arquitetura) – Rua Machado de Assis – Galeria dos Cinemas São Luis (passagem) – Largo do Machado – Rua Bento Lisboa (com seus novos hotéis e gigantesco condomínio residencial) – Rua Artur Bernardes – Rua do Catete (os sobrados centenários, o corredor gastronômico, os serviços e o comércio informal em seu espaço coletivo) – Museu da República (visita aos jardins do ex Palácio do Governo Federal).
Término: meio dia e meia
_______________________________________________________________
ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ
ENCONTRO NO ADRO DA CATEDRAL PRESBITERIANA
(NA CONFLUÊNCIA DA PRAÇA TIRADENTES COM A RUA DA CARIOCA)
DIA 25 DE JUNHO DE 2009 - QUINTA-FEIRA - 20 HORAS E 30 MINUTOS
ROTEIRO: ILUMINADOS PRÉDIOS DA CATEDRAL EVANGÉLICA DO RIO DE JANEIRO E REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA - CENTRO CULTURAL CARIOCA - IGREJA NOSSA SENHORA DA LAMPADOSA (E DA ÚLTIMA MISSA DE TIRADENTES) - AV. PASSOS - TERRITÓRIO DA "DASPU" - PRAÇA TIRADENTES DOS TEATROS SECULARES E DOS MODERNOS HOTÉIS - RUA DA CONSTITUIÇÃO - GOMES FREIRE DOS HOTÉIS DE ALTA ROTATIVIDADE - LAVRADIO DOS ANTIQUÁRIOS E CASAS DE SHOWS DE ILUMINAÇÃO MUTANTE – QUARTEIRÃO CULTURAL E DO RIO SCENARIUM - ESPLANADA DE SANTO ANTONIO - LARGO BRAGUINHA (E DE RETUMBANTES MARCHINHAS) - MEM DE SÁ DOS SOBRADOS EXUBERANTES, SAMBA DE RAIZ, MARCHINHAS, MAMBO, FUNK, ROCK, TRAVESTIS E MITOLÓGICA MALANDRAGEM - SECULARES E SIMBÓLICOS ARCOS DA LAPA - RUA JOAQUIM SILVA - ESCADARIA SELARON - IGREJA NOSSA SENHORA DO CARMO DA LAPA - SALA CECÍLIA MEIRELES
Término por volta de 23 horas e 30 minutos em tempo de se embarcar no metrô ou de saborear uma pizza na Lapa.
INSCRIÇÕES: roteirosgeorio@uol.com.br (21) 8871 7238
roteiros grátis e a pé. Com tempo chuvoso, roteiros cancelados

COORDENAÇÃO: PROF. DR. JOÃO BAPTISTA FERREIRA DE MELLO

BOLSISTAS PARTICIPANTES: RUAN ROCHA, IVO VENEROTTI, OLGA MAÍRA FIGUEIREDO E MELISSA ANJOS

NEPEC (NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE ESPAÇO E CULTURA)
DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA HUMANA
INSTITUTO DE GEOGRAFIA – IGEOG
CTC - CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA

UERJ – UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
INSCRIÇÕES: roteirosgeorio@uol.com.br celular 8871 7238 - GRÁTIS – RESTRITO A 60 PESSOAS – com tempo chuvoso, roteiros adiados

YOUTUBE – TV GLOBO – ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ
http://www.youtube.com/watch?v=_n4gPk_tiNU
TV GLOBO - ROTEIRO NOTURNO NO CENTRO DO RIO A PÉ - UERJ - JORNAL DA GLOBO - 19/05/2009
http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1160470-16021,00-AS+BELEZAS+DE+UM+PASSEIO+NOTURNO+PELO+RIO+DE+JANEIRO.html

terça-feira, 16 de junho de 2009